É mais fácil amar cachorro que gente

Ao cortar o cabelo, não pude deixar de ouvir a conversa entre uma cliente e a cabeleireira. Elas conversavam sobre como a cliente amava suas duas cadelinhas. Ela chamava os animais de “minhas duas filhas”. Disse que nunca deixa as cadelinhas sozinhas. Motivo? Elas ficam muito tristes, quase em depressão quando não tem ninguém para cuidar delas. Afirmou que vai chorar muito quando uma delas morrer. A revista Veja trouxe reportagem sobre como os animais podem virar tiranos de seus donos. Como se fossem crianças, muitos donos acabam reféns de seus animais. Acredito que seres humanos preferem animais a outros seres humanos porque amar gente dá um trabalhão danado. Animais reagem por instinto. Cães, realmente, são companhias excepcionais. Balançam o rabo de alegria quando o dono chega, lambe seus pés, tem um olhar pidão que derrete os corações dos homens mais insensíveis... Mas, são só cães, só animais de estimação. Gente é diferente. Gente briga, se desentende, trai, se ausente e deixa de amar, precisa ser reconquistado. Gente é incontrolável. Animais são prisioneiros de luxo. Amar animais pode ser gratificante. Mas, a gente só amadurece quando se arrisca a amar gente. Jesus não morreu por amor aos cães, burros e gatos. Morreu por mim e por você, cascas-grossas e ingratos. Ele nos amou primeiro. Quem ama animais sofre, quem ama gente sofre muito mais – mas, é melhor, é superior, é coisa de gente adulta.

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