Os fariseus venceram


Os fariseus voltaram do Gólgota se confraternizando. Seus amigos também estavam felizes. O dia havia sido proveitoso: o fim da seita de Jesus Cristo era apenas uma questão de tempo. Nada deveria mudar. A religião era deles, quem deveria ditar as regras eram eles, ninguém poderia reinar no mundo religioso sem o consentimento deles. Muitos esfregavam as mãos de tanto júbilo. "Viu quando ele caiu? O romano deu-lhe umas cinco chicotadas! Eu quase senti pena daquele miserável!" Outro vai mais longe: "Gostei quando a víbo... Pilatos mostrou Jesus todo ensanguentado... Cadê que o embusteiro falou nada!" Um deles parecia mais sensato: "Vamos depressa, vai começar o sábado. No sábado, servo de Deus de verdade não faz nada, fica somente em casa, meditando na bondade de Jeová". Eles, de fato, venceram. Os discípulos estavam desbaratados, os seguidores de Jesus gritaram "crucifica-o" a pedido deles, o fim de Jesus não poderia ser pior: morto como um malfeitor. Agora, eles só pensavam em como usufruir do status religiosos que adquiriram e que ninguém tomaria deles. Nem homem, nem homem que se diz Deus, nem Deus. O maior inimigo deles estava morto - e isso era o que interessava. O irônico é que os fariseus continuam vencendo. Eles tem sistematica e exaustivamente, nestes dois milênios de história cristã, perseguido todos aqueles que se levantam contra seus domínios eclesiásticos. Uns até, não largam nem o sábado como dia de contemplação do sagrado!

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