Ensaio sobre a cegueira


A premissa é a mesma. Tanto “A lenda” como “Ensaio sobre a cegueira” tratam do tema de uma catástrofe que se abate sobre a humanidade, e somente um ser humano fica imune. No caso de A lenda, só o personagem de Will Smith escapa de uma doença que dizima a população mundial e transforma uma parcela em vampir. O Ensaio sobre a cegueira fala de uma epidemia de cegueira branca que atinge todo o planeta – e somente uma mulher, a excelente atriz Julianne Moore não é atingida. O primeiro é um grande filme de suspense e um drama acachapante. Já “Ensaio sobre a cegueira” é uma alegoria, uma linda parábola e um alerta visceral sobre como, enxergando bem, somos tão cegos. Eu dizia que, em terra de cego, quem tem um olho é rei. É nada. Em terra de cego, quem enxerga, sofre mais! Como dói ver o fim desde o começo, como é desconfortável ser o único a ter visão. Assisti o filme com toda minha no cinema. Há cenas fortíssimas (quase impossíveis de serem assistidas, mas necessárias para vr onde a cegueira nos tem levado), outras de uma beleza ímpar (a plasticidade poética de Julianne Moore conduzindo uma fila de cegos em meio ao caos). Um bom líder, com visão, faz a diferença. Um líder mal, cego, pode ser mais maligno que o diabo. Vendo o filme, deu para sentir um pouquinho de como Jesus Cristo sofreu, vivendo entre nos. A estadia de Jesus Cristo, a Luz do Mundo, na terra dos cegos pernósticos não foi, de jeito nenhum, um passeio na terra. Certamente foi uma das experiências mais aterradoras que o Filho do Homem viveu.

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