Lessy


Esta é Lessy. O nome foi dado pelos meus filhos, quando ainda crianças. Eu escolheria outro nome, mas essa é outra história. Nós a encontramos na rua, penso que no caminho de volta para casa, depois de um culto, há aproximadamente seis anos. Era uma manhã ensolarada ou uma noite bem escura? Não sei. Era ainda um filhote. Saiu correndo quando parei o carro, desci e a apanhei. “Pega, paínho, pega!!” – “É uma cachorra!”, disse, após profunda análise biológica. – “Quem vai dar banho, alimentar e cuidar?”, perguntou a mãe, já antecipando quando a novidade passasse. “Adriano dá banho nela!”, disse Renata. “É, maínha, a gente dá!”, incluindo todos, por via das dúvidas. Ela se transformou numa cadela simpática, dócil com todo mundo – até com as galinhas que Maria do Carmo cria. Quando Adriano põe comida para Lessy, quem primeiro come? As galinhas! Lessy late, sem convicção. Aliás, Lessy não tem convicções quanto a inimigos naturais. Um estranho entra e sai de minha casa e Lessy? Nada! Um gato invade o quintal e Lessy? Pula, faz que avança, late... o gato corre, mas por puro instinto de preservação, jamais por temor real. Ela não mete medo nem nas lagartixas, que balançam a cabeça enquanto nossa cadela dá pulinhos, late, funga, vai e volta, late e olha para a gente... (Será que pede ajuda para afugentar uma simples lagartixa?) Quando a gente abre a porta do quintal, Lessy corre atrás do gato. Acredito que quando a gente fecha a porta, tudo volta ao normal – gato livre, Lessy com o rabo rodando. É verdade, ela não balança o rabo, ela roda o rabo quando está feliz. Quando a gente fala, Lessy balança o rabo como hélices de ventilador! Lessy não serve para nada que um cachorro a priori é adquirido e mantido numa casa. Mas, pensando nela agora, ninguém lá em casa quer dar fim a Lessy. Virou nosso xodó. Aliás, tenho investido muito dinheiro nela, muito mais do que ela merece. Lessy tá com tosse? (Sim, de vez em quanto ela fica gripada!) Veterinário! Comida para Lessy? Ração! Nada de restos de comida caseira, o pêlo cai. Banho raro que Adriano dá em Lessy? Shampoo para cães! “Pense numa vira-lata abençoada”, disse o veterinário numa das consultas para cuidar de uma crise de espirros e tosse. Não diria tanto, mas ela é uma cadelinha muito querida pelos Andrades. Quando a gente vai ler no quintal ela corre para ficar perto, olhando, sondando nosso humor, lambendo, farejando, sentando e depois deitando – caso perceba receptividade. “Sai pra lá!”, geralmente digo, querendo afastá-la de meu rosto, mas não querendo que ela vá para longe, somente que se comporte pertinho de mim. Uso muito Lessy em minhas ilustrações nas pregações. Todos riem muito. Ela virou para mim um exemplo, embora que tosco, da graça de Deus agindo em cada um de nós, seus filhos. Também fomos achados, amados apesar de nunca porque, ficamos contentes apenar em estar perto do Pai, não servimos para nada, mas alegramos imensamente o coração do Pai... Lessy é uma vira-lata imprestável, mas nós a amamos, ela faz parte da família Andrade. “Vem cá, Lessy, vem! Que é isso, menina, que é isso?!!” Aí o rabo gira em velocidade máxima.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lessy!
voce faz parte de uma familia extraordinária!

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