O último dia de um homem



Se você soubesse, com certeza, que iria morrer amanhã, como viveria hoje? Suponhamos apenas (pois você viverá mais 100 anos, calma!), que você está vivendo suas últimas 24 horas. Imagine-se não desesperado ou em pânico, apenas querendo curtir seu último dia. Repito: se tivesse certeza do fim, sem neura, como viveria o dia de hoje? Tenho certeza que você não iria numa concessionária trocar de carro, nem entrar em fila de banco para conferir saldo (embora revelasse a senha a sua esposa para que a família pudesse sacar toda grana!), nem fazer mais um pedido para vender em seu comércio. Você não lustraria seus troféus, nem lamentaria não ter sido famoso ou poderoso na vida. Você não se importaria com sentimento de vingança ou inveja, nem sentiria muito por não ter feito sexo com a atriz ou o ator mais bonitos da Globo. Nada disso. Acho que sei o que a gente faria. Abraçaríamos, cheios de ternura, nossos cônjuges e filhos. Pediríamos perdão a eles, caso os tivéssemos tratado mal (o que invariavelmente acontece). Entraríamos em contato com nossos amigos – e até alguns desafetos – e diríamos o quanto o amamos ou o quanto sentimos os laços de amizade terem se partido. Choraríamos lágrimas quentes, verdadeiras, não fingidas. Diante do Senhor, lamentaríamos nosso egoísmo, as situações em que deixamos Deus falando sozinho, nossa condição de peito de ouro e pés de barro. Que dia maravilhoso seria! Dia de cartase e libertação. Uma última consideração: por que não vivemos assim o resto de nossas vidas? O último dia de um homem não precisa ser o único dia maravilhosamente humano de sua vida!

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