TRIBUTO A MAMÃE


Essa semana lembrei de minha mãe, derrotada por um câncer quando eu tinha, aproximadamente, 24 anos. Ela lutou contra a enfermida por quase dois anos. Para mim, uma heroína. Lembrei de algumas frases suas, reminescencias de minha infancia. Ela costumava dizer, quando a gente estava doente e precisava tomar um banho: "Vou esquentar água somente para quebrar a frieza". Sobre minhas amizadas, ela vaticinava: "Quem com porco anda, farelo comoe!" ... acho que ela não gostava muitos de meus amigos. Mas, onde achar outros tão bacanas? Mamãe estudou pouco, acho que quase nada. Sabia escrever e ler, mas não era uma leitora assídua de nada. Como diz o apedeuta Lula, "estou convencido" que não fui um filho extraordinário. Alguns de meus irmãos (tenho-os em número de sete) foram. Eu fui um filho medíocre. Não tive tempo de curtir minha mãe. Queria poder dizer que a amava muito mais que disse. Daria presentes no dia das mães, mas queria abraça-la, saber dela mesmo como foi a sua infância, como seus pais a tratavam, quais foram seus sonhos e se a vida lhe fez bem. No tempo que mamãe morreu eu estava a mil por hora. Eram muitas atividades na igreja, construção da casa, estudos, trabalho, um casamento para gerir... Sei que, em seu leito de morte, disse que a amava. Ela disse que nos amava a todos. Esperava ouvir que ela me amava também. Sem a inclusão dos outros irmãos. Na verdade, assim não era ela? Sem nos amando a todos, com predileção apenas por quem estava em alguma desvantagem, quer fosse uma doença, um queda, um infortúnio na vida? Minha mãe sofreu a vida inteira. Tempos antigos, aqueles que minha mãe existiu. Sinto muito, muito mesmo, a falta dela. Meus filhos cresceram sem essa vó diferenciada. Teriam sido muito enriquecidos, como eu mesmo fui ao conviver com uma mulher tão comum que me liberou para eu ser quem eu quisesse ser. Acho que ficaria orgulhosa de mim, hoje, apesar de minhas muitas falhas. A morte roubou de mim esse último presente que daria a ela.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns Pr, realmente a gente corre tanto na vida e esquece de viver os bons momentos ao lado d quem mais amamos, as vezes no meu dia a dia eu procuro me corrigir e penso muito sobre e muitas das vezes me pergunto, será q vale a pena correr tanto? será q vale a pena ter tantos bens e perder o melhor bem, a família? eu penso constante nisso e essa mensagem veio na hora certa, só me confirmou. Deus o abençoe, hoje e sempre a vc e sua familia. Um abraçãoooooo. SUELENE.

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