As causas da queda de Davi - conheça os passos que levaram o rei Davi ao adultério, ao escândalo e á vergonha

Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade, apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares. Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que goze os ossos que tu quebraste. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustem-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão. Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua louvará altamente a tua justiça. Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor. Porque te não comprazes em sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o Espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. Abençoa a Sião, segundo a tua vontade; edifica os muros de Jerusalém. Então, te agradarás de sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então, se oferecerão novilhos sobre o altar.
(O sentimento de Davi, depois de ter sido confrontado com o seu pecado pelo profeta Natã. Revela que, por mais grave que seja o pecado, ainda há esperança de restauração)



A QUEDA DE UM HOMEM ABENÇOADO

Conte comigo algumas das ricas bênçãos que o Senhor concedeu a Davi, personagem bíblico do Antigo Testamento:
Primeira: de menino ruivo inexpressivo, filho de um tal Jessé, natural de Belém (?!), a principal rei da história da monarquia de Israel. Do anonimato à realiza, num curto espaço de tempo e de maneira definitiva.
Segunda: valentia e força, de origem divina, que o capacitaram a enfrentar feras como leão e urso e a desafiar um experiente guerreiro filisteu de quase três metros de altura. O pequeno Davi vencendo o gigante Golias até hoje serve de inspiração aos cristãos em tempos de crise aguda.
Terceira: firmou-se no trono de Israel como o mais famoso e querido rei, expandindo as fronteiras do reino e consolidando de vez a nação na Terra Prometida. Depois do fiasco da gestão política de Saul, Davi devolveu aos israelitas a auto-estima e a esperança de um futuro promissor.
Quarta: sendo ameaçado de morte por Saul, que o precedeu no trono, Davi escapou ileso de várias investidas potencialmente fatais. Teve, até, duas oportunidades de dar cabo do ensandecido rei, mas preferiu poupá-lo, numa demonstração inequívoca de maturidade espiritual.
Quinta: no dia em que foi ungido rei, o Espírito do Senhor se apoderou dele, de forma permanente. O que levou alguns entendidos a afirmarem que Davi foi o protótipo dos crentes atuais, visto que o Espírito de Deus agora faz morada (e não meramente visitações) definitiva nos cristãos verdadeiramente convertidos.
Não obstante tantas e variadas bênçãos, podemos ler em 2 Samuel 11.1-5:
Depois de um ano, no tempo em que os reis saem para guerrear, Davi enviou Joabe, juntamente os seus servos com ele e todo o Israel; e eles destruíram os amonitas, e sitiaram Rabá. Mas Davi permaneceu em Jerusalém. Aconteceu que, à tarde, Davi se levantou do seu leito e se pôs a passear no terraço da casa real; e viu do terraço uma mulher que estava se lavando; e a mulher era muito bonita. E Davi mandou perguntar a respeito da mulher, e lhe disseram que ela era Bate-Seba, filha de Elã, mulher de Urias, o heteu. Então Davi enviou mensageiros para buscá-la; e ela veio a ele, e ele se deitou com ela, e quando ela se purificara de sua impureza, ela voltou para casa. E a mulher engravidou; e mandou cientificar Davi, dizendo: Estou grávida.
Recentemente, uma irmã contou-me de como seu casamento entrara em colapso. Segundo ela, seu marido mudara do vinho para a água suja, abandonando a família para viver uma louca paixão com outra mulher. Acabou me perguntando: como alguém pode mudar tanto, de marido atencioso e prestativo a alguém distante e indiferente? Minha resposta foi que ele não foi o primeiro e, infelizmente não será o último. Milênios antes dele existiu um rei chamado Davi que também mudou do vinho para a água suja. Por causa de algumas horas de prazer, Davi verá um vendaval de angústias arruinar sua vida de forma dramática. Aquilo que deveria ser apenas uma diversão inofensiva e inconseqüente – quebra da rotina palaciana naquela tarde sem nada para fazer – virou aflição pura quando Bate-Seba mandou um recado: meu rei, estou grávida. Davi, confiando em sua esperteza, esboça uma saída pela tangente. Manda chamar Urias do front e tenta convencê-lo a dormir em casa, numa nítida tentativa de contornar a situação. Mas, o valoroso e fiel soldado se nega a ter prazer enquanto seus colegas são mutilados ou mortos em combate. Urias era leal a sua esposa, ao seu rei e a seu povo. Como seu plano infalível falhou, Davi parte para a solução final: manda, pelo próprio Urias, a sua sentença de morte. Urias leva uma carta ao seu comandante Joabe, onde Davi ordena que Urias fosse posto muito além da linha vermelha, para ser atingido pelas armas inimigas, vindo a falecer por uma contingência da guerra.
Urias é morto, Davi chama a viúva para fazer parte da coorte e fim de papo. Fim de papo, se o Deus de Israel fosse um boneco de gesso, morto e inexpressivo. Mas, a Bíblia assegura que Jeová é guarda que não dorme, nem cochila, nem deixa de executar justiça. Os olhos do senhor estão em todo lugar, ele vê os maus e os bons (Provérbios 15.3). Até àquela tarde Davi era o mocinho, o bom e justo líder, mas agora era o vilão de uma história sórdida e cruel. Bastou apenas poucos dias para Davi violar quatro dos Dez Mandamentos: o décimo, não cobiçaras; o sétimo, não adulterarás; o oitavo, não furtarás; o nono, não dirás falso testemunho e o sexto, não matarás.
É verdade que aquilo que está ruim pode piorar, num processo de degeneração quase irreversível. Aos múltiplos pecados de Davi acrescente-se ainda a falta de confissão. Nosso herói calou-se sobre o assunto, como se o silêncio do omisso atenuasse a justiça de Deus (como se Jeová abrisse uma exceção para seus servos, que foram muito fiéis no passado, pudessem pecar ocasionalmente). O Senhor, então, intervém, enviando o profeta Natã para lavrar a punição do rei, com as seguintes palavras e nos seguintes termos (2 Samuel 12.7-12):
Eu te ungi rei sobre Israel, e te salvei da mão de Saul, e te dei a casa de teu Senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio; e te dei a casa de Israel e de Judá. E se isso não fosse suficiente eu te daria muito mais. Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? Mataste à espada a Urias, o heteu, e tomaste sua mulher para ser sua mulher; e o mataste com a espada dos amonitas. A espada jamais se apartará de tua casa, porque me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, como tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que farei vir sobre ti o mal de tua própria casa, e tomarei tuas mulheres perante teus olhos, e as darei a teu concorrente, que se deitará com tuas mulheres à luz deste sol. Porque agiste secretamente; mas eu farei este negócio diante de todo o Israel e à luz do sol.
Quem faz o que quer com o próximo recebe a punição que não quer do Deus que é o Supremo Juiz de toda a terra. Mais cedo ou mais tarde, independente da posição social do transgressor, o seu pecado o achará, qual míssil teleguiado. Num pequeno espaço de tempo, o abençoado Davi vira um homem marcado pela tragédia familiar.
Esse fato suscita uma questão muito importante: o que leva as pessoas a desprezarem as bênçãos de Deus, envolvendo-se em pecados e até em escândalos, perdendo a paz e a autoridade espiritual? Por que Davi, homem tão abençoado, capitulou tão vergonhosamente? Quais os passos que podem nos levar à queda e ao vexame?
Antes de tentar responder a esse questionamento, quero lhes dizer que, lamentavelmente, Davi não foi o primeiro nem último a despencar vertiginosamente de sua posição como homem de Deus ou como personagem público. Aconteceu com Esaú, que perdeu seu direito à formidável bênção da primogenitura, por causa de sua precipitação em comer um prato de lentilhas. Por causa de sua tolice seu nome não consta da lista dos patriarcas, que seria Abraão, Isaque e Esaú, mas foi modificado para Abraão, Isaque e Jacó. Aconteceu com Sansão, talvez o maior fiasco do Antigo Testamento. Juiz promissor desde o seu nascimento, se envolveu de forma comprometedora com Dalila, vindo a ser torturado e humilhado pelos filisteus. Morreu e foi sepultado como herói, é verdade, mas viveu suas últimas horas como fantoche nas mãos dos inimigos do povo de Deus. Aconteceu, também, com Saul, o antecessor de Davi. O primeiro rei de Israel começou bem, mas a coroa lhe subiu à cabeça. Desobedeceu ao Senhor, caindo em desgraça. Aconteceu com um famoso líder evangélico brasileiro, homem de currículo impecável e de caráter ilibado. Admirado por uns e invejado por outros, se envolveu emocionalmente com sua secretária, fato que culminou em divórcio, vergonha, escândalo e desastre espiritual.
O que mais choca nesses e em outros casos de queda nos tempos bíblicos e contemporâneos é que não se tem notícia de que tenha sido o diabo o principal concorrente para tais pecados. O texto de 2 Samuel 11 não tem expressões do tipo: e o diabo virou o rosto de Davi para que visse Bate-Seba tomando banho ou tendo Davi visto a mulher tomando banho, o diabo o incentivou, dizendo ao pé da orelha: se fosse eu, mandava chamá-la agora! Esaú, Sansão, Saul, Davi e centenas de outros homens de Deus levaram a pior em suas excursões pelas veredas do pecado por causa de sua própria cobiça. Podemos ver um dos nossos maiores inimigos quando penteamos nossos cabelos diante do espelho.
Isto posto, examinemos, com cautela, os quatro passos que julgo terem causado a inesperada queda do rei Davi. Antes, porém, convidou-o a reler atentamente 2 Sammuel 11.1-5:
Depois de um ano, no tempo em que os reis saem para guerrear, Davi enviou Joabe, juntamente os seus servos com ele e todo o Israel; e eles destruíram os amonitas, e sitiaram Rabá. Mas Davi permaneceu em Jerusalém. Aconteceu que, à tarde, Davi se levantou do seu leito e se pôs a passear no terraço da casa real; e viu do terraço uma mulher que estava se lavando; e a mulher era muito bonita. E Davi mandou perguntar a respeito da mulher, e lhe disseram que ela era Bate-Seba, filha de Elã, mulher de Urias, o heteu. Então Davi enviou mensageiros para buscá-la; e ela veio a ele, e ele se deitou com ela, e quando ela se purificara de sua impureza, ela voltou para casa. E a mulher engravidou; e mandou cientificar Davi, dizendo: Estou grávida.
Agora creio que estamos prontos a responder: QUAIS OS PASSOS QUE LEVARAM DAVI À QUEDA E QUE TAMBÉM PODEM NOS CONDUZIR AO FRACASSO?

Primeiro passo: DAVI ESTAVA ONDE NÃO DEVERIA ESTAR.
Certamente, deu para o leitor perceber que havia uma guerra contra os amonitas em Rabá. Joabe estava liderando a batalha a mando do rei, porque Davi permaneceu em Jerusalém. À tarde, depois de haver tirado um cochilo, Davi passeava pelo jardim da casa real quando viu a mulher de Urias na intimidade. É, portanto, na ociosidade de um lugar indevido que floresce o pecado. Se Davi estivesse no devido lugar do rei, comandando pessoalmente a peleja contra os amonitas, jamais teria se deixado seduzir pelo banho de uma mulher nas cercanias de Jerusalém.
Formulo uma pergunta simples, mas propícia e reveladora: quantos irmãos, ao invés de valorizarem os cultos nas suas igrejas, gastam esse tempo passeando no terraço da casa real? Quantos, ao invés de estarem na casa do Senhor ou cuidando da causa do Senhor, estão placidamente assistindo Globo rural ou Laços de Família, jogando conversa fora com os vizinhos, folheando a Playboy, forçando os músculos cardíacos ao torcer pelo tenista Guga ou pelo piloto Rubinho, contabilizando seus lucros ou, até mesmo, lamentando a falta deles?
Desde que não se deixe enlaçar pelo ativismo estéril ou pelo culto-de-corpo-presente, lugar de crente é na Casa e na causa do Senhor. Por quê? Por que é no templo que recebemos a vitamina de Deus, ouvimos sua voz, somos consolados por Ele, somos estimulados pelo Espírito a mantermos acessa a chama do fervor espiritual. É potencialmente perigoso fazer incursões no mundo, pois é de domínio popular que a ocasião faz o ladrão, o adúltero, o corrupto, o apóstata... O diabo não pode romper a cerca e ferir você, mas pode fazer você romper a cerca e derrotá-lo no campo dele.
O livro dos Salmos está cheio da teologia da importância da Casa do Senhor no desenvolvimento espiritual dos filhos de Deus, princípio subestimado pelos irmãos que estão em franco processo de se desviarem do Evangelho. Alegando que fazem suas orações e ainda folheiam a Bíblia, de vez em quando, esses cristãos não sabem o enorme perigo a que estão expostos por menosprezarem o lugar do ajuntamento solene. Permita-me compartilhar alguns textos que deixam transparecer o zelo que os salmistas tinham pela Templo:
Pedi uma coisa ao Senhor, e a buscarei: Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor, e fazer perguntas em seu templo. Pois no dia da adversidade me esconderá em seu abrigo; no esconderijo secreto de seu tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me colocará (Salmo 27.4,5).
Quão amável é a tua morada, ó Senhor dos Exércitos! Minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor, meu coração e minha carne clamam pelo Deus vivo. Até o pardal encontrou casa, e a andorinha tem seu ninho, onde cria seus filhotes, perto de teus altares, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e Deus meu! (Salmo 84.1-3).
Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor (Salmo 122.1).
Davi estava no lugar errado e essa desatenção lhe custaria muito caro. Não perca o ensinamento: folgar com o mundo quando o correto seria estar lutando contra ele se constitui um sinal de que algo muito ruim está por acontecer.

Segundo passo: DAVI VIU O QUE NÃO DEVERIA VER.
Por estar no lugar errado na hora errada, Davi acabou vendo o que não deveria ver: a vizinha tomando banho ao sol. E gostou. Amou. Na verdade, Davi adorou. Quando viu Bate-Seba se ensaboando, nosso campeão ficou filmando, sem nem piscar, com medo de perder algum detalhe. Uma versão primitiva do voyerismo atual, essa experiência deixou marcas profundas no corpo, na alma e no espírito do querido e famoso rei.
O que os olhos não vêem o coração não sente, pois os olhos são as janelas do coração humano, sobretudo do coração masculino. Aquilo que o homem vê pode arruiná-lo, caso não consiga recobrar o controle da situação o mais rápido possível, o que é quase impossível de se conseguir. Para ilustrar, deixe-me contar um pequeno incidente que aconteceu comigo recentemente. O gerente da empresa onde trabalho toma seu café da manhã na cozinha da própria empresa. Um dia, eu e meus colegas entramos na cozinha e tivemos a oportunidade de ver a mesa servida, antes do gerente comer. Enchemos os olhos com o bolo, o queijo, o pão, o bule de café bem quentinho. Voltamos todos ao escritório, mas eu e outro colega de nome Gilmar retornamos à cozinha. Não pude resistir e pus uma fatia do queijo na boca, mas não mastiguei. Gilmar quis me imitar e pegou um pedaço grande de bolo. Mas, quando ia mastigar, o gerente chegou. Comendo meu bolo, Gilmar?! Passei pelos dois, sério e de boca fechada, enquanto ouvi a explicação amarela: Só um pedacinho, chefe! No caminho, me encontrei com a sub-gerente, contei a ela o ocorrido e todos pudemos rir do episódio. Sabe onde falhamos em nossa aventura? Fomos surpreendidos filando o café do chefe porque nossos olhos nos traíram. Davi cometeu uma relação imprópria, como definiria Bill Clinton, porque viu e gostou do que viu.
O apóstolo João adverte seriamente sobre a cobiça que entre facilmente pelos olhos:
Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida, não procedem do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente (1 João 2.15-17). O que levou Eva a provar do fruto proibido, senão que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e desejável para dar entendimento (Gênesis 3.6)?
Que nossos olhos tenham prazer em ver a edificação de mais um templo evangélico na cidade, que nossos olhos anseiem ver a glória de Deus operando na Igreja, que nossos olhos sonhem com o dia em que todos contemplaremos a espetacular volta de Jesus para arrebatar Sua Noiva, a Igreja. Maranata! aleluia! Porém, enquanto estivermos militando o bom combate, guardemos nossos olhos de verem o indevido. Todo cuidado é pouco com o que nossos olhos vêem. Eles alimentam nossa alma.

Terceiro passo: DAVI PENSOU O QUE NÃO DEVERIA PENSAR.
Davi continua despencando vertiginosamente. O próximo passo rumo à queda aconteceu em sua mente. Ele começa a imaginar cenas de potencial erótico com a mulher de Urias. Por sua mente desfilaram, como num filme, imagens fortes que minaram a pouca resistência que lhe restara. Dava para sentir o cheiro do perfume, o frescor de sua pele e a sua presença nos aposentos reais, ainda naquela mesma tarde. A mente de Davi, tomada por emoções fortíssimas, não conseguia discernir as desastrosas conseqüências de seu desejo. Sua mente trabalhou naqueles momentos somente em função do imediato. E as conseqüências, meu rei? Resolvo-as depois, me desculpando, pondo a culpa no diabo, dizendo que a carne é fraca, afirmando que não fui o primeiro, alegando que já fizeram pior, qualquer coisa... o que importa é tê-la em minha cama, aqui e agora. O amanhã deixa para amanhã!
A maioria dos pecados, antes de se tornar passivo de punição, se torna real no coração, quer seja adultério, homossexualismo, corrupção, assassinato, perversidade, traição, furto, opressão ou outra qualquer modalidade de vilania. Por isso, não basta pôr grades e cadeados ao redor de nossa casa. É preciso pedir que o Senhor ponha anjos munidos de santidade e pureza para fortificar nossas mentes contra as investidas do desejo desordenado.
Finalmente, irmãos, tudo o que é de verdade, tudo o que é de respeito, tudo o que é certo, tudo o que tem pureza, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, meditai nessas coisas (Filipenses 4.8).
O salmista faz eco ao sábio conselho do apóstolo:
Bem-aventurado o varão que não anda no conselho dos ímpios, não permanece no caminho dos pecadores, nem se senta entre os zombadores; mas seu prazer está na lei do Senhor, e medita em sua lei dia e noite (Salmo 1.1,2).
Se o pecado conseguir convencer sua mente dos benefícios de se praticá-lo, será questão apenas de tempo para que a queda se torne realidade. A mente comanda o corpo e se ela expedir uma ordem equivocada há enormes e seguras probabilidades do pecado se concretizar. O crente, porém, tem à sua disposição a mente de Cristo. É preciso ter sensibilidade para sentir o clima tenso e invocar o auxílio do Consolador.
Mas, só age assim quem obedece ao mandamento expresso em Colossenses 3.2:
pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra.
O profeta Isaías é taxativo:
Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti (Isaías 26.3).

Quarto passo: DAVI FALOU O QUE NÃO DEVERIA FALAR.
É compreensivo que, por uma infelicidade dessas que acontece com freqüência, o crente esteja no lugar errado, vendo o que não devia e pensando o impublicável. Enquanto estiver no estágio de inércia e elucubração – corpo parado e mente fervilhando – ainda dá para reagir de forma positiva. Apesar de ser muito difícil, podemos reunir forças para tentar fugir do pecado. Davi poderia cair de joelhos, contrito, como era seu do seu feitio, e clamar por misericórdia, confessando seu pecado íntimo. Certamente seria perdoado, confortado e restaurado. Mas, Davi abre a boca, não para pedir aos seus subordinados que orassem por ele, mas para perguntar quem era aquela que morava na casa ao lado. Depois de receber o currículo da vizinha, Davi abre a boca e aterrissa de nariz no chão: tragam-na aos meus aposentos e providenciem o melhor vinho. Esta noite será inesquecível! De fato, foi.
Deixemos o apaixonado Davi por alguns momentos e pensemos um pouco em nossa realidade. Quantos crentes, outrora consagrados, morreram pela boca, feito peixe engasgado com o anzol. Parecem uma piaba que, nadando livremente no rio, vê uma minhoca se debatendo. Enche a boca d’água e dá o bote no suculento petisco. Sendo gostoso a princípio, sente-se a piaba mais feliz das redondezas, pois foi a única esperta e rápida o suficiente para abrir a boca antes das demais. Um detalhe, que eu diria que é o detalhe, lhe escapou: por dentro de toda minhoca que se debate no rio há um anzol de ferro maciço feito para fisgar e causar a morte. Que bom, mas que dor! Por dentro de toda Bate-Seba tomando banho ao sol há um aguilhão chamado pecado, que mais cedo ou mais tarde mandará um aviso: Davi, agora te peguei! Dá cá tua paz, tua alegria, tua reputação!
A Bíblia adverte solenemente sobre o perigo em potencial da língua. As palavras podem ser um poderoso instrumento de destruição pessoal:
as palavras da boca do sábio são benignas, mas os lábios do tolo o destroem (Eclesiastes 10.12).
Sabeis estas coisas, meus amados irmãos: todos sejam prontos para ouvir, tardios para falar, tardios para se irar (Tiago 1.19).

AOS OUVIDOS DOS QUE ESTÃO DE PÉ OU PROSTRADOS
O que levou Davi – e pode nos levar também – à queda espiritual, menosprezando as ricas e abundantes bênçãos que o Senhor já nos concedeu? Estar onde não se deveria estar, ver o que não vale a pena ser visto, pensar aquilo que não temos coragem de publicar e falar de forma iníqua e precipitada.
Antes de terminarmos, gostaria de fazer dois apelos.
Primeiro, aos crentes cheios de fervor espiritual. Vocês nunca tiveram a experiência de beijar a lona, antes têm nocauteado sistematicamente seus poderosos inimigos: a carne, o mundo e o diabo. Louvo ao Senhor pela vida de vocês e peço-lhes que jamais cedam, um milímetro sequer, aos cantos e encantos do pecado. Contudo, não permitam também que um espírito de orgulho minem suas defesas espirituais. Nunca é demais repetir que o que pensa estar de pé, fique atento para não cair (1 Coríntios 10.12). Não olhe o soldado aliado que cai ao teu lado com impaciência, desprezo ou despeito. O Senhor desaprova quem ri do sofrimento alheio.
Segundo, aos crentes cheios de angústias espirituais. Vocês estiveram no lugar errado na hora errada e agora estão colhendo na carne terríveis aflições. Talvez por causa de um namoro moderno, talvez por causa de um casamento precipitado, talvez por causa do poder, da glória e das riquezas, talvez por causa de um desejo irresistível, talvez por causa de um título. As causas são as mais variadas e menos importante agora, pois o que realmente interessa é saber que, no Senhor, há inesgotáveis recursos de restauração.
Davi se beneficiou da Graça de Deus depois da queda, você também pode, senão leia atentamente o Salmo 32:
Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniqüidade, e em cujo espírito não há culpa. Quando guardei silêncio, meus ossos envelheceram pelo meu bramido, durante o dia todo. Porque de dia e de noite tua mão pesava sobre mim; meu humor se tornou em sequidão de verão. Confessei-te meu pecado, e minha iniqüidade não ocultei. Disse eu: Confessarei ao Senhor minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa de meu pecado. Por isso, aquele que é piedoso ore a ti, a tempo de te encontrar; quando grandes inundações vierem não te alcançarão. Tu és o meu esconderijo; preservas-me da angústia; de alegres cânticos de livramento me cercas. Eu te instruirei, e te ensinarei o caminho que deves seguir; e te aconselharei, tendo-te sob minha vista. Não sejas como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão. O ímpio tem muitas dores, mas aquele que confia no Senhor, a misericórdia o cerca. Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos , vós justos; e cantai de júbilo, todos vós que sois retos de coração.
O diabo e seus agentes querem ver os crentes que estão de pé, caindo, e os crentes que estão caídos, completamente batidos e deprimidos. Mas, em nome de Jesus, quero profetizar que os crentes que estão de pé estenderão suas mãos para ajudar a erguer os irmãos que estão com o rosto no pó. Quando os olhos desses dois tipos de irmãos se cruzarem, ambos serão tomados por uma alegria indizível e finalmente compreenderão que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus. A queda será ocasião da mais sublime demonstração de amor cristão, quando os vitoriosos estendem as mãos aos colegas derrotados. O diabo será envergonhado e a Igreja, edificada. Se este livreto ajudar você a caminhar nessa direção, renunciando ao desejo fácil de criticar pelo simples prazer da fofoca, então minha motivação ao escrevê-lo não terá sido em vão. Que a Graça do Senhor não permita que você caia. Mas, se por infelicidade cair, que a Graça do Senhor motive você a se levantar.
As causas da queda - Conheça os passos que levaram o rei Davi ao adultério, ao escândalo e à vergonha

Editoração eletrônica
Speed Graphic 9985-2147/8404
Primeira edição – 2000
Tiragem – 100 exemplares Surubim - PE – Brasil

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