Antigamente, gente, a vida era muito pior


“Hoje está tudo mudado. Antigamente a gente não via o que vê hoje. Antigamente era melhor”. Quando alguma coisa fora do ordinário acontece, há sempre alguém que repete a tolice acima. Para eles, a antiguidade é melhor que a modernidade – ou pós-modernidade, como queiram. Eu, não. Eu acho que tempo bom é este. Até para nós, evangélicos, não existe tempo melhor que o tempo do fim! Com exceção de viver no Éden, qualquer outro período da História é pior que o tempo que em vivemos, o século 21 – o século 22 certamente será melhor que o atual. Aposto um abraço nisso. Antigamente não tinha celular, nem eletricidade, nem carro flex, nem liberdade para os negros, nem respeito às minorias. Antigamente, a igreja romana incinerava na fogueira quem ousasse discordar dela (que tempo ruim, hen?). Antigamente, as pessoas viviam, no máximo, 45 anos!, os dentes todos podres. Antigamente, não tinha penicilina (que tempo difícil). Antigamente, a hipocrisia e a crueldade eram normas, não exceções. Antigamente, telefone era coisa só para rico e automóvel para milionário. Antigamente, apedrejavam as igrejas evangélicas, cuspiam no rosto dos irmãos e os sacerdotes mandavam até matar os os pastores. Antigamente, as mulheres não podiam votar, nem trabalhar fora e eram obrigadas a permanecerem casadas com verdadeiros mafiosos. Muitas eram espancadas diariamente. Hoje, posso professar minha fé. Hoje, podemos nos submeter a cirurgias que, há dois séculos atrás, eram tidas como impossíveis. Maldade, gente, sempre existiu e sempre existirá. Como, antigamente, o planeta era menos populoso, levava meses para uma notícia rodar o mundo, não havia o conceito de democracia e as pessoas sofriam horrores caladas, dava a impressão que tudo era céu. Nada disso. O inferno ardia no subsolo da vida. Claro que a modernidade traz sua cota de dissabores e aflições e angústias. Mas, de maneira nenhuma, o passado é melhor que o presente.

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