Sem querer, meu pai me ensinou o jogo da vida


Quando eu era criança, papai me ensinou a jogar damas. Todo mundo sabe o que é: um jogo de tabuleiro, parecido com o xadrez – um jogo de estratégia. Vence quem se antecipa ao adversário, quem tem sangue-frio, quem desconfia de toda jogada do oponente, quem usa o “quengo”, quem sabe ganhar e quem sabe, com antecedência, que vai perder o jogo – e o momento exato em que deu a pixotada fatal. Papai pensava que estava somente me ensinando um passatempo. Ensinou muito mais. Hoje, me lembro daquelas dicas: pense antes de jogar... eu deixo você voltar, pense direito, você fez uma burrada... você pode e deve surpreender seu adversário... sacrifique 2 pedras para poder “comer” 3 dele!... você acabou de perder o jogo, mas controle seus sentimentos: quem não sabe perder não sabe ganhar... não cante vitória antes do tempo, só depois do jogo terminar. Cresci e o jogo da vida se tornou mais ranhento. Graças a Deus e aos ensinos de meu pai, venci alguns inimigos mais poderosos que eu, usando apenas a cabeça. Joguei o jogo em silêncio, pensando, me antecipando, analisando cada jogada do adversário. Derrotei-os de boca fechada. Engoli sapo de todo tamanho. Venci. Outras vezes, fui derrotado. Perdi quando falei demais, quando me precipitei, quando permiti que meu adversário “me enervasse”, quando fui com muita sede ao pote, quando não aproveitei bem as oprtunidades. Quando venci me calei – não vale a pena tripudiar em cima de quem foi derrotado. Quando perdi me calei – não vale a pena empreender uma turnê para dizer o quanto fui estúpido ou fraco. Assim é a vida, como dizia uma musiquinha chata dos anos 1980: nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar.

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