Estou crucificado com Cristo


"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, O qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim" (Gálatas 2.20).
O sentimento comum é que “estar crucificado com Cristo” é virar um ser mineral, mortificando os “desejos da carne” torturando a carne, se esforçando para ser mais santo que o anjo Gabriel, de preferência se deixar crucificar com pregos e tudo na Semana Santa. Uma idéia totalmente vinda da idade média, maniqueísta e fora da realidade bíblica. Estar crucificado com Cristo é melhor entendido quando a gente vai ao Evangelho e vê Jesus Cristo no Gólgota, crucificado. Como viveu aquele momento crucial de sua vida? Estar crucificado com Cristo é perdoar quem nos faz o mal sem saber o que está fazendo "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem" (Mt. 23.34); é não perder o senso de realidade quando se vive a pior realidade, a realidade da humilhação e da dor: "Tenho sede" (Jo. 19.28); é ser gente boa de Deus mesmo quando tudo vai mal: "Mulher, eis ai o teu filho" (Jo. 19.26); e "Eis ai a tua mãe" (Jo. 19.27); é ser misericordioso quando a gente precisa e não recebe misericórdia: "hoje estarás comigo no paraíso" (Lc. 23.43); é chamar Deus de “Deus meu” até quando a gente se sentir desamparado pelo Pai: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mc. 15.34); é viver e morrer entregando aos cuidados do Senhor nosso maior tesouro, nosso espírito: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc. 23.46); é aquele que tem a consciência do dever cumprido: “está consumado" (Jo. 19.30). Enfim, estar crucificado com Cristo é não dever mais nada a ninguém, com exceção do amor, porque Jesus já pagou tudo que eu devia.

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