Obcecados pelos dons






A atual geração de evangélicos está obcecada pelo desejo de possuir os dons espirituais. Oram nos montes, caçam vigílias, se espremem nos cultos atrás de receberem dons do Espírito. Desejam ardentemente os chamados dons de revelação, dons de poder ou dons de locução. Querem ter a palavra de sabedoria, de revelação e de discernir espíritos. Querem possuir o dom da fé, de curar e de operar sinais e maravilhas. Mas, se contentam, se receberem o dom de profecia, o dom de línguas ou o dom de interpretação das línguas. E, pronto. Os dons viraram o fim, o alvo, o sonho, a coqueluxe deles (os carismáticos romanos estão inveredando pelo mesmo descaminho). E o fruto do Espírito? Deixa pra depois. E o amor, o óleo que caracteriza a Igreja de Jesus? Não nos atrai. E o conhecimento de Deus, através da leitura responsável e prazerosa da Palavra? Sem tempo. E o respeito aos que foram chamado para o pastorado? Tô fora. A semelhança de Harry Potter, querem fazer mágica, mudar a realidade com a varinha de condão, ouvir vozes, ver demônios e discernir anjos (coisas que os otários não percebem). Ouçam-me falando em línguas! Vejam-me ressuscitar este morto! Observem-me enquanto sou arrebatado! Ambiciosos e sem rédeas, infelizmente, muitos crentes tem surtado. Guiados por sonhos, revelamentos e visagens e subestimando a base da vida critã, caracterizada pelo fruto do Espírito, o resultado não poderia ser outro: alguns viraram motivo de chacota e escândalo para o Evangelho.

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