Anatomia de uma tragédia



De tempos em tempos, um cineasta surpreende o mundo com um filme fora-de-série. Foi o caso de Dança com Lobos de Kevin Costner e A Lista de Shindler de Steven Spilberg. O melhor de todos é Titanic, dirigido por James Cameron. Titanic conta uma cintilante história de amor, tendo como pano de fundo o desastre marítimo que ceifou 1.517 vidas no Atlântico Norte, na madrugada 15 de abril de 1912. O que chama a atenção na obra-prima de Cameron é o absurdo das causas que culminaram no naufrágio do navio inglês. Centenas de pessoas morreram estupidamente por três motivos:


1. Confiança exagerada numa segurança que nunca existiu. Para quase todos os passageiros, nem Deus poderia afundar o Titanic. Bastou uma trombada com um iceberg para demonstrar que o navio só tinha tamanho (270m) e peso (50t). Como consideravam o navio insubmergível, os botes salva-vidas eram insuficientes para todos os passageiros. Os poucos que haviam constavam apenas como decoração.


2. Falta de solidariedade. Houve muita nobreza, mas também muita vilania entre os passageiros e a tripulação do Titanic. Os botes salva-vidas comportavam perto de 60 pessoas, mas vários deles foram lançados ao mar com menos da metade de sua capacidade. Quando o navio foi a pique, centenas de homens, mulheres e crianças ficaram boiando na água gelada, gritando por socorro. Apenas um bote voltou para tentar resgatá-los – mesmo assim, tarde demais.


3. Demora, devido a distância, da chegado de socorro. O navio mais próximo ao Titanic levou 4 horas para chegar ao local do desastre. Muito tarde. Vieram apenas para resgatar os sobreviventes nos botes e retirar do mar as centenas de corpos congelados.
Talvez, você pergunte: Que tenho eu com a credulidade, o egoísmo e o socorro atrasado que submergiram o insubmergível? Simples. Muitos de nós afundamos feito chumbo, justamente porque cometemos o mesmo conjunto de erros que pôs um ponto final na aventura inglesa. Somos seres frágeis, mas como adoramos nossos talentos: inteligência, conhecimento, força, beleza, fama, contatos.


Os discípulos de Jesus se refugiam é em Deus. O Senhor é absolutamente “inafundável”: Uns confiam em carros, e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus. O Senhor tem-nos ensinado a verdadeira solidariedade, onde a Igreja vira comunidade e família, um por todos e todos por um (nada novo, apenas uma volta ao primeiro amor vivido na Igreja primitiva). No Senhor, há socorro, presença garantida no dia da dor, até mesmo quando trilharmos o vale da sombra da morte. Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Deus nunca se ausenta, por isso nunca se atrasa.

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