A última ceia


Assisti "A última ceia" há uns cinco anos. Resolvi revê-lo. Não tinha percebido, ou se o fiz, esqueci completamente, como o filme que deu o Oscar de Melhor Atriz a Halle Barry era tão forte e denso. Hank Grotowski (Billy Bob Thornton, excelente atuação) e seu filho Sonny (Heath Ledger, em início de carreira) trabalham juntos em uma prisão localizada no sul dos Estados Unidos. Hank é extremamente racista e precisa lidar com este sentimento todos os dias, devido à presença de negros na prisão. Ele é um pai glacial, herança de um lar despedaçado. Um dos detentos, Lawrence Musgrove (Sean "Puffy" Combs), recebe periodicamente a visita de sua esposa Leticia (Halle Berry). Após ser condenado à morte, Leticia segue sua vida juntamente com seu filho Tyrell. Mais um lar arruinado, um inferno de vida. Duas tragédias acabam fazendo com que as vidas de Leticia e Hank se cruzem. A trilha sonora ecoa na alma do espectador - como um coadjuvante da trama. Os diálogos são tão ricos que os psicólogos deveriam usar em sala de aula. Um exemplo: - eu só quero cuidar de você... - excelente, eu preciso mesmo de alguém que cuide de mim. Outro: - você sempre me odiou, pai? - Sim! - Pois eu sempre te amei. Entretanto, não pense que "A última ceia" é um filme fácil de digerir. Requer maturidade. Não é filme para se assistir dando risadas e comendo pipoca. Ele pega você pela alma e não larga nem depois de ter acabado. A decadência e a ruína humanas estão todas ali, quase podendo ser tocadas. A redenção também, por um milagre, por um triz.

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