Depois de um intenso sofrimento


Conversando com pessoas que viveram tempos medonhos - inclusive relembrando tempos de angústias vividos por mim mesmo - percebo como o sofrimento a todos transforma. Geralmente, as pessoas mais sensíveis começam a perceber o valor das pequenas coisas, tais como ver a chuva caindo, tibumgar num rio, gostar de ouvir até tiziu cantando. Eu também aprendi a apreciar uma boa conversa com amigos, a dar um cheiro num filho, a balançar numa rede depois de ver o quão perto da morte passei. Afora isso, o sentimento de gratidão por estar vivo é quase sufocante. Ser um sobrevivente é uma bênção tão grande quanto ter nascido. É claro que alguns perdem todas as lições que os períodos de privações gritam para transmitir. Como também é evidente que a gente não precisa sofrer para aprender a viver. É infinitamente melhor ser feliz sem nunca ter sido infeliz. Mas, que fiquemos pelo menos com as preciosas lições advindas das tempestades. Depois de um intenso sofrimento a vida se parece com uma tarde de sol depois que caiu um aguaceiro. Tudo fica mais vívido, intenso, cheiroso. Que pena que esse sentimento se desvanece a medida que o tempo nos separa do infortúnio. Que pena que a gente não viva sempre com a gratidão dos sobreviventes.

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