Gostando de apanhar


A gente encontra dificuldade de entender o que lê. Um dos exemplos é a interpretação quase sempre equivocada de alguns textos bíblicos. Leia Mateus 5.39: Se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. A idéia comumente aceita é que, quando apanhar de alguém, deseje apanhar mais. Estaria Jesus ensinando uma forma sadomasoquista de lidar com quem nos detesta? A questão tratada nesse verso é a da não retaliação (o contexto fala de olho por olho, dente por dente, que era a lei da época). Jesus, através dessa hipérbole (expressão intensionalmente exagerada), ensina aos cristãos a não revidar, a não se vingar, a não dar o troco. É melhor apanhar de novo que meter a mão na cara de quem te insultou, ofendeu, maltratou, roubou, caluniou, agradiu. Seja sempre a vítima de uma injustiça, nunca agrida ninguém. Jesus não nos quer capacho, pobres coitados: me humilha que eu gosto. O princípio é: Se teu inimigo te bater, não revide. Perdoe, não guarde ressentimentos. Deixa Deus ser Deus, recompensando a ambos. Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede dá-lhe de beber. Mas, não seja tolo de implorar por mais dor. Leia Atos. A gente vê Paulo pregando o Evangelho, sendo torturado, evitando ou fugindo dos inimigos, reinvidicando seus direitos de cidadão. Não se vinga, não revida. Mas, também não diz: meu inimigo, bate mais que eu gosto. Paulo é bom, mas não é bobo.

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