Divórcio - quando a decisão já está tomada


- Pastor, sou sincero. A gente vai se separar – e nada vai impedir isso. Não adianta enganar o senhor, dizer que está tudo resolvido após a reunião e depois continuar do jeito que está. Não se engane, a gente vai se separar.
Depois desse desabafo, proferido em tom de firme desesperança, como dizendo fale-pastor-mas-nada-vai-mudar-a-nossa-situação-muito-menos-conversa-de-pastor, respondi:
- Não pretendo mudar nada, já que vocês estão decididos. Na verdade, vou ajudar vocês a se separarem com dignidade. Quero contribuir para a separação de vocês. Só peço um pouquinho de atenção antes. Primeiro, deixe para pedir o divórcio daqui a três meses. Uma decisão tão importante não pode ser tomada sem muita reflexão, antes. Segundo, tentem descobrir onde e quando o amor acabou. Até amor pelo Senhor acaba. Jesus mesmo disse: “tenho porém contra ti, Éfeso, que deixaste o teu primeiro amor, vê onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras”. Terceiro, pensa um pouquinho nos filhos, vocês tem filhos? Por eles, talvez - somente talvez, calma - valha a pena tentar redescobrir o amor que os uniu no passado. Sim, ia me esquecendo de algo interessante: amor pode morrer, mas também pode ser resgatado! Sabia que vocês podem voltar a se amarem? Com algumas medidas simples, isso pode acontecer. Você, moça, dê um trato nos cabelos, use uns brincos discretos e bonitos, use aquele batom que você gosta, se embeleze, tome um banho de loja, se valorize (afinal, você brevemente será uma mulher livre!), deixem as crianças com os avós e dê umas escapadas românticas, fuja da rotina que arruinou o casamento de vocês! Por favor, tente lembrar o primeiro beijo, como vocês se amavam e se queriam e se desejavam. Quinto, não romantize que outros parceiros farão vocês mais felizes. Pode acontecer o contrário, farão mais infelizes. Todo homem e toda mulher tem defeitos – talvez, os mesmos defeitos! Durante seis meses, parecerá o céu. Mas, depois, as saudades dos filhos, do antigo lar e as inevitáveis comparações poderão levar vocês a uma pontinha de arrependimento – senão mergulhar vocês definitivamente num inferno em vida. Sexto, informo que os divorciados passam por grandes problemas financeiros e jurídicos. Vocês devem se preparar para essas tribulações. Tenho, contudo, uma proposta que é uma boa notícia. Se quiserem, daqui a dois meses, vou propiciar uma lua-de-mel fora de época, possivelmente em João Pessoa, Capital da Paraíba, num hotel à beira-mar. Serão dois dias sem nenhuma despesa para o casal. Não pode levar filho, nem mãe, nem tia, irmão da igreja ou totó. Só vocês dois, para fazer a despedida de casado. Que acham?

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